sábado, 17 de dezembro de 2011

Mensagem de Natal

Mensagem de Natal 2011 – Dr. José Miguel Carvalho

Bom Natal e Feliz Ano Novo, são os nossos votos

Trabalhando na área da Saúde, não podemos deixar de acrescentar que é com preocupação que vemos o futuro.

A felicidade das pessoas é interior; a felicidade de uma sociedade depende do seu funcionamento, sobretudo do acesso (ou total acesso) aos meios básicos que permitem o bem-estar. A Saúde é um deles e temos que preservar o acesso a este bem comum.

Motivemo-nos para conseguir um Bom Ano de 2012

 

José Miguel Carvalho

Médico Assistente Graduado de Pneumologia

Coordenador do Programa de Tuberculose

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Família CDP Santarém – Natal 2011

 

 

Família CDP

linha de cima e da esq. para a direita:

Lívia (Assistente operacional), Teresinha (enfermeira - reformada), Luís Abreu (Assistente Técnico), Dídia (Assistente Técnico), João Paulo com a filhota (TDT Radiologista), Aquilino Fidalgo (TDT Radiologista), Manuel (TDT Radiologista,  Elisabeth Cunha (Enfermeira), Conceição (Assistente operacional), José (TDT Radiologista), Graça Evaristo (Médica Pneumologista), José Miguel (Médico Pneumologista – Coordenador CDP).

linha de baixo e da esq. para a direita :

Maria Augusta (Enfermeira-  reformada), Lurdes (enfermeira), Mª Luísa (Assistente Técnico – reformada), Mariana (Assistente Operacional), Joaquina (Assistente Técnico), Mª João (enfermeira), Joana (TDT Cardiopneumologista), Teresa Nascimento (TDT Radiologista).

Onde e Como, Virtualmente, Já nos Visitaram.

 

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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Estórias Pessoais - Maria Luísa Oliveira, 1978-2005(III) – Quentes e Boas!!

 

 

1979 - QUENTES E BOAS!...

Luísa Oliveira - AdministrativaEm Outubro de 1979 houve necessidade de libertar ficheiros de recém-nascidos sujeitos à vacinação BCG e as fichas de vacinação com mais de x anos foram retiradas, colocadas em sacos plásticos pretos, bem amarrados e colocados nos contentores de lixo doméstico.

Num dia chuvoso de Novembro desse ano um casal ainda jovem, muito bem vestido, dirigindo-se ao guichet do SLAT, pediu para falar com o Director do serviço. Estiveram fechados no gabinete cerca de 15 minutos e quando saíram não me pareceram mais contentes do que à chegada.

Como estávamos prestes a fazer o intervalo para o almoço, o Director aguardava pela esposa (enfermeira) e por mim a quem dava boleia, movimentando-se cabisbaixo, com passadas largas de um lado para o outro, à frente do guichet.

Quando entrámos no carro, sentia-se uma forte tensão no ar que não passou despercebida à enfermeira. Instado por ela a dizer o que se passava, ficámos a saber que o casal de advogados tinha reclamado o facto de fichas do SLAT com os seus nomes e o do filho estarem a circular na via pública, depois de terem servido para enrolar castanhas, que um senhor vendia à entrada do Jardim das Portas do Sol.

À medida que o Director relatava o facto agitadamente, os nossos olhos esbugalhavam enquanto os queixos pendiam de pasmo e sobressalto. “E agora?” Perguntava-me eu. “O que vai acontecer? Eles vão levar-nos a tribunal por causa disto?”

A resposta veio logo a seguir por parte da enfermeira Maria Augusta. “Fica tranquilo. Vamos almoçar e a seguir dispensas-me a mim e à Maria Luísa e nós vamos às Portas do Sol falar com o senhor das castanhas”.

Depois do almoço, fomos pedir as fichas de vacinação de volta mas o senhor não quis cooperar.

Lembram-se do texto anterior sobre os impressos bonitos do SLAT? Pois bem, as fichas de vacinação além de serem impressas a vermelho, eram do tamanho A5 e tinham uma densidade adequada para serem arquivadas de pé – não eram tão grossas como a cartolina nem tão frágeis como o papel de 80g.

Tudo isto foi-nos dito, embora com outras palavras pelo empresário das castanhas assadas: “Minhas senhoras, este papel é meu. Achei-o e preciso dele para o meu trabalho. Além disso já tem o tamanho e a consistência certa para fazer os canudos para levar as castanhas quentes. Onde é que eu vou embrulhar as castanhas?!”

Já em desespero de causa, a enfermeira Maria Augusta perguntou-lhe se ele devolvia as fichas se ela lhe desse em troca papel para as substituir. Atendendo um cliente ele respondeu com pouca convicção: “Só vendo…”

Lá fomos nós para casa ver se achávamos papel que agradasse ao vendedor. Não foi fácil desapegarmo-nos de um monte de revistas que tínhamos acumulado – Teleculinárias, Burdas, Turbo, Life, Time e Hollas! O vendedor de castanhas, mesmo assim, achou pouco mas cedeu.

Voltando ao SLAT fomos para as traseiras da vivenda queimar as fichas de vacinação.

Estávamos em 1979 e, com este episódio, os nossos pensamentos lançaram sementes que, bem germinadas ao longo dos anos, deram frutos. Entre eles, e falando apenas no plano físico: a banalização das máquinas de obliterar documentos, a separação de lixos para reciclagem e, se calhar, até a criação da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE)!...

Maria Luísa

Novembro de 2011.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

16 de Novembro - DIA MUNDIAL DA DPOC

DPOC

16 de Novembro - DIA MUNDIAL DA DPOC

A 16 de Novembro é assinalado o Dia Mundial da DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica) e, em simultâneo, o Dia Mundial do Não Fumador.
Uma data que procura sensibilizar todos os cidadãos para a importância da saúde respiratória, essencial à vida.

 

DPOC - O QUE É?

A DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica) é uma doença crónica, progressiva e irreversível que ataca os pulmões e tem como principais características a destruição de muitos alvéolos e o comprometimento dos restantes. A sua origem está normalmente associada a uma resposta inflamatória anómala dos pulmões à inalação de partículas ou gases nocivos.
As alterações patológicas pulmonares conduzem a alterações fisiológicas características, como a hipersecreção de muco, disfunção ciliar, limitação do débito aéreo, hiper insuflação pulmonar, anomalias das trocas gasosas, hipertensão pulmonar e cor pulmonar. Estas alterações desenvolvem-se em função do processo de evolução da doença.
À medida que os sintomas são sentidos, as limitações no dia-a-dia dos doentes vão-se manifestando, levando a uma gradual incapacidade e morte prematura.
Para um doente com DPOC, movimentos simples, como escovar o cabelo ou subir escadas, podem tornar-se em desafios fisicamente exigentes.
A DPOC está normalmente associada aos hábitos tabágicos, com índices de 20% de probabilidade dos fumadores contraírem esta doença. A DPOC progride com a idade e afecta frequentemente homens com idade mais avançada.

 

AS CAUSAS DA DPOC

O tabagismo é o factor de risco predominante da DPOC, representando 80%-90% do risco de se desenvolver a doença, mas apenas 15% de todos os fumadores desenvolvem DPOC suficientemente grave a ponto de causar sintomas.
Em termos populacionais, a subida das taxas de tabagismo aumentou drasticamente os níveis de doença e de mortalidade associados à DPOC.
Contudo, o tabagismo não é o único factor de risco. As populações expostas a poluição em recintos fechados, resultante do uso de fornos e de fogões a lenha e a carvão, correm um risco muito superior. A exposição profissional a uma variedade de poeiras atmosféricas também aumenta o risco de DPOC, o mesmo acontecendo com a poluição atmosférica.
A hereditariedade constitui, igualmente, um factor de risco de DPOC. Actualmente, a única doença genética claramente identificada que pode causar DPOC é a deficiência em alfa1-antitripsina (AAT). A AAT é uma enzima que, normalmente, impede a perda das fibras elásticas dos pulmões. As pessoas que sofrem de deficiência de AAT desenvolvem, geralmente, obstrução do fluxo de ar por volta dos 40 anos de idade.

 

FACTORES DE RISCO

São grupos de risco as pessoas com:
  • Mais de 40 anos de idade, com história de tabagismo superior a dez anos;
  • Actividade profissional de risco respiratório comprovado, com exposição a poeiras e a produtos químicos;
  • Tosse ou expectoração crónica ou dispneia (dificuldade em respirar) de esforço;
  • Deficiência de alfa1-antitripsnina.

 

OS SINTOMAS DA DPOC

O principal sintoma do doente com DPOC é a dispneia (falta de ar) que resulta da limitação do fluxo aéreo (entrada e saída do ar) principalmente na fase expiratória, da hiperinsulflação dinâmica que leva ao encurtamento das fibras musculares do diafragma, fadiga muscular, insuficiência respiratória, entre outros.
Inicialmente o doente apenas tem uma tosse acompanhada por expectoração, seguindo-se infecções respiratórias e bronquite aguda que se tornam mais frequentes. Posteriormente, surge o cansaço fácil que se vai acentuando ao longo do tempo até surgir mesmo em pequenas tarefas, como a higiene diária e a fala.
Durante algum tempo, apesar dos sintomas, o pulmão consegue levar a efeito a sua função principal: receber o oxigénio do ar e transportá-lo até ao sangue, e receber deste o anidrido carbónico que elimina para o ar.
À medida que a doença evolui a função do pulmão vai reduzindo, o oxigénio que chega ao sangue vai sendo menor e o anidrido carbónico vai-se acumulando, gerando insuficiência respiratória.

 

DIAGNOSTICAR A DPOC

O diagnóstico da DPOC faz-se através da realização do exame designado espirometria. Trata-se do meio mais objectivo, padronizado e facilmente reprodutível de medir o grau de obstrução das vias aéreas. A espirometria permite também avaliar a gravidade da doença e orientar a adequada prescrição médica. Cria, ainda, a oportunidade de adopção de medidas para o controlo de sintomas e prevenção de exacerbações, reduzindo consultas, internamentos hospitalares e absentismo laboral, bem como para a preservação da qualidade de vida do doente.
A doença ocorre frequentemente após os 40 anos e não afecta crianças. Os sintomas de DPOC não devem ser ignorados pelo fumador ou ex-fumador, pois quanto mais cedo se iniciar o tratamento, melhor serão os resultados. Apesar de ser uma doença subdiagnosticada, os sintomas são relativamente fáceis de reconhecer.

 

TRATAR A DPOC

Existem disponíveis em muitos países normas de tratamento clínico da DPOC. Foi desenvolvida uma nova norma de consenso internacional pela Iniciativa Global para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease - GOLD). Esta declara que os objectivos do tratamento da DPOC são:
  • Prevenir a progressão da doença;
  • Aliviar os sintomas;
  • Melhorar a tolerância ao exercício e o estado de saúde;
  • Prevenir e tratar as complicações;
  • Prevenir e tratar as exacerbações;
  • Reduzir a mortalidade.
Um passo fundamental no tratamento da DPOC é eliminar ou reduzir ainda mais a irritação pulmonar. Os dois agentes irritantes mais comuns que contribuem para a progressão da DPOC são o tabagismo e os poluentes ambientais. A exposição a estes factores de risco deve ser reduzida ou eliminada.
Demonstrou-se que a simples abstenção tabágica (e, em alguns casos avançados de DPOC, a terapia com oxigénio) reduz a mortalidade. As pessoas que deixam de fumar conseguem abrandar a taxa de declínio da função pulmonar, mas nunca conseguem readquirir a já perdida.
Além de se evitarem os factores de risco conhecidos, existem disponíveis tratamentos farmacológicos para a DPOC e seus sintomas mais vulgares. Os tratamentos mais comuns incluem:

Broncodilatadores - Os broncodilatadores são considerados a pedra angular do tratamento sintomático da DPOC. Os grupos principais de broncodilatadores utilizados no tratamento da DPOC incluem:

  • Anticolinérgicos: actuam contrariando a acção broncoconstrictora do sistema nervoso parassimpático, através do bloqueio dos receptores colinérgicos, o que leva à broncodilatação;
  • Agonistas beta (acção curta ou prolongada): actuam estimulando directamente os receptores beta2 no músculo liso das vias aéreas, o que leva à broncodilatação. Os agonistas beta2 (AB) estão subdivididos em duas subcategorias baseadas na sua duração de acção (acção curta - SABA - e acção prolongada - LABA);
  • Metilxantinas: a teofilina, um dos mais antigos broncodilatadores, é o membro mais conhecido desta classe. É mais frequentemente prescrito como parte de uma terapêutica de combinação.

Corticosteróides - Estes fármacos anti-inflamatórios são utilizados como terapêutica de manutenção no estádio inicial da asma. Contudo, o seu uso habitual na DPOC não é, geralmente, recomendado nas normas de tratamento em estadios de menor gravidade da doença. Os CSI (corticosteróides inalados) podem ajudar os doentes com DPOC grave e muito grave, que sofram de exacerbações frequentes.

 

DPOC EM PORTUGAL

Em Portugal, até há pouco tempo estimava-se que a DPOC atingiria 5,3% da população (Cardoso et al. Rev Port Pneumol 2002, VIII (5): 504). Porém, um estudo recentemente efectuado na população da grande Lisboa mostrou uma prevalência de 14,2% (COPD Prevalence in Portugal. The Burden of Obstructive Lung Disease Study /BOLD). Mesmo tendo em conta a heterogeneidade populacional nas diferentes regiões do país, esta prevalência quase três vezes superior à até agora conhecida, vem confirmar a ideia generalizada de que a doença se encontra em crescimento e subdiagnosticada.
Actualmente, apenas uma pequena parcela da população procura tratamento, já que muitos doentes encaram alguns dos sintomas (tosse, dificuldade em respirar, etc.) como normais. Quando não tratada, a DPOC pode levar a quadros irreversíveis que acabam por afectar seriamente a qualidade de vida do doente.
A doença atinge mais os homens do que as mulheres devido ao maior número de homens que fumam. Com o aumento do número de fumadoras, espera-se no futuro que esta diferença se reduza.

 

DPOC NO MUNDO

No mundo estima-se que existam cerca de 600 milhões de pessoas afectadas por esta doença. A DPOC constitui uma importante causa de morte e de incapacidade em todo o mundo. É a 5ª causa de morte a nível mundial, a 5ª na Europa e noutros países desenvolvidos e a 4ª nos Estados Unidos da América.
Todos os anos, aproximadamente 2.75 milhões de mortes em todo o mundo são atribuídas à DPOC. A DPOC é a causa de morte com mais rápido crescimento nas economias avançadas mundiais, prevendo-se que rapidamente venha a alcançar a 4ª posição como causa de morte nas regiões desenvolvidas.
O crescimento da DPOC é incrível. Calcula-se que em 2020 a DPOC seja a 3ª causa de morte a nível mundial - logo após as doenças de coração e os acidentes vasculares cerebrais.

 

 

A DPOC constitui uma enorme sobrecarga a nível socioeconómico e de saúde, sendo uma das principais causas de incapacidade e morte nas sociedades industriais. Os custos directos e indirectos associados à DPOC são comparados aos associados ao cancro da mama, enfarte do miocárdio e úlcera péptica. Os custos em hospitalizações são comparáveis ou mesmo superiores aos de outras doenças graves, incluindo ataques cardíacos. A maior parcela dos custos médicos da DPOC na maioria dos países está associada à necessidade de hospitalização dos doentes. A DPOC também acarreta um fardo significativo em termos de quebras de produtividade relacionadas com a incapacidade.
Para além do peso económico da doença, a DPOC constitui um pesado problema para aqueles que sofrem daquela patologia, já que tem um impacto considerável na sua qualidade de vida. O cansaço e a dispneia podem limitar seriamente a actividade física interferindo no seu papel económico e social. Depressão, ansiedade e desespero também são frequentemente observadas nos doentes com DPOC.
A DPOC também constitui um pesado fardo sobre todos os que têm de cuidar de amigos e parentes com esta doença. Em virtude da sua natureza crónica e dos seus sintomas incapacitantes, os cuidados de saúde em casa constituem uma parte importante das responsabilidades físicas, sociais e emocionais.

 

SOFRE DE DPOC? FAÇA O PRÉ-DIAGNÓSTICO.

Para saber se tem DPOC, comece por responder a estas questões:
1.Tem tosse a maior parte dos dias? 2.Tem expectoração ou “catarro” a maior parte dos dias? 3.Tem dificuldades de respiração e cansa-se mais rapidamente do que as pessoas da sua idade? 4.É fumador(a) ou ex-fumador(a)? 5.Tem mais de 40 anos?
Se respondeu afirmativamente a todas as questões, pode sofrer ou vir a sofrer de DPOC. Consulte o seu médico(…)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Estórias Pessoais, Maria Luísa Oliveira, 1978-2005(II)

1978

Luísa Oliveira - AdministrativaUma das tarefas como administrativa no ex-SLAT (Serviço de Luta Antituberculosa) de Santarém, obviamente, era o atendimento ao público. Lembro de como me assustei quando, logo no 1º dia de trabalho, me puseram à frente do guichet com uma fila de pessoas do outro lado para serem atendidas. Gaguejando, ainda disse à minha jovem colega que não me parecia boa a ideia de eu ir para lá, pois não saberia o que dizer nem fazer e os utentes certamente não iriam tolerar essa ignorância. O que mais eu iria apreciar na minha colega Maria do Céu era a sua descontracção em relação a tudo aquilo que me constrangia e limitava. Completamente tranquila, ela disse-me: “Ora essa! É tudo muito simples! Veja como eu faço e vai ver que consegue!” A verdade é que a paciência e o método demonstrativo dela resultaram e foi muito fácil mesmo.

(Naquele tempo não se ouvia falar em cursos de formação, pelo menos para funcionários administrativos do SLAT).

Havia impressos que preenchíamos (à mão, claro!) enquanto atendíamos os utentes. Em 1978 os caracteres e os quadradinhos dos impressos eram estampados com tinta vermelha e nós escrevíamos com esferográfica a azul ou preto. No topo do impresso, no canto esquerdo, uma singela mas peculiar cruz, de dois braços, identificava os nossos serviços. Numa altura em que eu já tinha abolido completamente as cruzes nos meus adornos pessoais, tendo-as substituído por outros símbolos igualmente pacíficos: a pata de pombo, yin e yang e Om (Aum), achei a cruz especialmente bonita e a minha curiosidade sobre ela recebeu do Dr. Júlio Cardoso, Director e médico dos nossos serviços, esta explicação: “Chama-se Cruz de Lorena e os Cruzados usavam-na nas suas lutas. Por proposta de um médico francês bem inspirado, passou a ser o símbolo internacional da cruzada sobre a tuberculose. Diz-se que a Cruz de Lorena tem poderes sobrenaturais.”

Lembrei-me então de já a ter visto em Moçambique, no Dispensário Antituberculoso de Lourenço Marques, quando levei a minha filha, para fazer o BCG quando nasceu. Muito mais tarde, empolguei-me verdadeiramente quando a vi a identificar serviços de saúde pulmonar em cidades como Goa, Deli, Hong Kong, Macau e Bangkok…. (continua…)

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Símbolo da Paz

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Yin e Yang

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Om ou Aum

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Cruz de Lorena

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

14 de Outubro - Dia Mundial da Espirometria

 
14 de Outubro - Dia Mundial da Espirometria
 
A 14 de Outubro comemora-se o Dia Mundial da Espirometria, uma data que tem passado despercebida na agenda da saúde mundial.
 
A ESPIROMETRIA
A Espirometria, também conhecida como exame do sopro, é um teste que mede o fluxo de ar nos pulmões. Trata-se de um exame muito importante no diagnóstico precoce e prevenção de doenças respiratórias, e essencialmente, no caso da DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica), uma doença devastadora que progressivamente retira aos doentes a capacidade de respirar.
A espirometria permite ajudar a detectar a doença e permite actuar e tratar antes da sua progressão. Para efectuar o exame basta colocar o tubo do aparelho na boca, encher totalmente os pulmões de ar e soprar com força até os esvaziar.
A espirometria é necessária para confirmar o diagnóstico de DPOC. O grau de gravidade da DPOC é avaliado segundo o grau de obstrução brônquica determinado pela espirometria. Os registos espirométricos servem ainda para orientar o tratamento, avaliar a resposta terapêutica e monitorizar a evolução da DPOC. Com efeito, os registos periódicos dos parâmetros ventilatórios são úteis para se monitorizar a progressão da obstrução das vias aéreas na DPOC.
O rastreio espirométrico de populações de alto risco é um método simples e eficaz para a detecção da DPOC. Na verdade, a realização de espirometria, em fumadores e ex-fumadores com mais de 40 anos, poderá trazer ganhos de saúde muito significativos. Ao identificar a DPOC num estádio de menor gravidade da doença, a realização de espirometria possibilita a aplicação de medidas dirigidas de prevenção relativas ao tabagismo, ao ambiente laboral e a hábitos de vida.
O diagnóstico precoce da DPOC por espirometria cria a oportunidade de se poder actuar para evitar a redução da funcionalidade dos portadores da doença e a deterioração da sua qualidade de vida. Quanto mais tardio for o diagnóstico da DPOC, menor será o impacto da cessação tabágica na história natural da doença, com reconhecido carácter evolutivo e incapacitante.
PROCURAR AJUDA DO PROFISSIONAL DE SAÚDE
A doença instala-se lenta e progressivamente. Por isso, muitas vezes, o doente só recorre ao médico numa fase avançada da doença. Para que tal não aconteça um diagnóstico precoce torna-se fundamental. Sendo a espirometria um exame que detecta a DPOC mesmo antes de existirem sinais visíveis da doença, é importante incluí-la no check-up de rotina.
A avaliação clínica do doente, através do médico de família, é o primeiro passo para um diagnóstico correcto da doença e um reencaminhamento eficaz. Uma primeira consulta com estes médicos pode facilitar o reconhecimento da doença e dar seguimento ao doente para uma consulta com um médico pneumologista para esclarecimento de diagnóstico e orientação terapêutica.
 
FAZER O TESTE DA ESPIROMETRIA
No dia 14 de Outubro, Dia Mundial da Espirometria, tem início, em Lisboa, um roadshow suportado por uma unidade móvel de saúde e aconselhamento. Aqui profissionais de saúde realizam espirometrias à população com o objectivo de desenvolver um eficaz rastreio da DPOC.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a doença atinja 210 milhões de pessoas em todo o mundo. Face a estes números muitas foram as organizações europeias e mundiais que já manifestaram a vontade de estender a outros países esta campanha de divulgação e aconselhamento.
 
SOFRE DE DPOC? FAÇA O PRÉ-DIAGNÓSTICO.
Para saber se tem DPOC, com
ece por responder a estas questões:
1.É fumador(a)?
2.Tem tosse a maior parte dos dias?
3.Tem expectoração a maior parte dos dias?
4.Cansa-se com facilidade e mais do que as pessoas da sua idade?
Se respondeu afirmativamente a todas as questões, pode sofrer ou vir a sofrer de DPOC. Consulte o seu médico (...)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Estórias Pessoais, Maria Luísa Oliveira, 1978-2005 (I)

Luísa Oliveira - AdministrativaOlá!

Convidaram-me para participar neste blog e é com muito prazer que aceito o desafio por diversas razões. À medida que for escrevendo, dar-me-ei e dar-se-ão conta dessas razões.

Fui funcionária administrativa do CDP de Santarém de1978 a 2005, ano em que me reformei. Mantenho-me em contacto com todo o pessoal por grande amizade aos que trabalharam comigo e ainda lá continuam e simpatia pelos que entraram depois da minha saída.

Hoje recordo com alegria e saudade as pessoas com quem passava a maior parte do meu tempo, o feitio de cada uma, o nosso poder de adaptabilidade, o que aprendi com quem trabalhei e com os utentes.

Claro que não foi sempre um mar de rosas…

Nasci em Lourenço Marques em 1948 e aos 19 anos comecei a trabalhar na Divisão de Finanças da Junta Autónoma de Estradas de Moçambique que contava com 40 funcionários só nesse departamento. Depois trabalhei numa instituição bancária no serviço de contabilidade juntamente com cerca de 30 colegas. Estava habituada a trabalhar especificamente numa determinada função, embora tivesse tido formação profissional suficiente para saber o circuito dos documentos desde a entrada nos serviços centrais até passarem por mim e depois o seu percurso até o processo de contas e arquivo morto. Considerava-me uma boa profissional na área da contabilidade.

Portugal – Santarém 1978.

Tinha acabado de fazer 30 anos, os últimos dois anos em Lisboa, sem trabalhar, a viver numa pensão paga pelo IARN (Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais), quando recebi o ofício do Quadro Geral de Adidos para me apresentar no SLAT (Serviço de Luta Antituberculosa de Santarém, para iniciar funções como administrativa. Informei-me da localização dos serviços e fui até lá. Não foi fácil dar com a casa. Passei várias vezes por ela sem a identificar. Não me passava pela cabeça que um serviço destinado a curar doentes tuberculosos pudesse funcionar numa … “vivenda velha”. Secretárias, mesas e armários de metal creme com tampos de mármore, como eu já não via desde os meados dos anos 50, quando fui vacinada contra a varíola em Lourenço Marques. Eu sempre gostei de casas e ambientes bem modernos e por isso, detestei tudo menos as pessoas porque essas, todas elas, me acolheram muitíssimo bem. É certo que éramos muito poucos e também muito distintos: 1 médico, 2 enfermeiros, 1 técnico de RX, 3 administrativas e 2 auxiliares. Estava habituada a trabalhar entre iguais com um chefe a uma certa distância e outros superiores mais distantes ainda. E a princípio fez-me confusão estar tão próxima de tantas hierarquias profissionais e sociais. No fundo, estava com medo de trabalhar ali. Medo de tudo. Nunca me senti bem em hospitais e serviços de saúde. O cheiro a éter agoniava-me. Ainda por cima um serviço que cura tuberculosos…” “E enquanto não se curavam? Então isso não é altamente contagioso? E eu? Qual a minha imunidade? Que garantias me dão em como não apanho a doença?!” Estes pensamentos assaltavam-me constantemente nos primeiros dias mas não me atrevia a expô-los para não ferir susceptibilidades. O medo de continuar sem trabalhar foi muito maior. O que eu queria mesmo era trabalhar, ser e sentir-me útil, ganhar a minha vida para ser independente e pensei que aceitando o cargo ali, logo pediria a transferência para um serviço grande de … contabilidade – Serviço de Finanças, talvez.

Hoje (2011), olhando para trás, entendo que há sempre uma boa razão para estarmos onde estamos e a fazer o que estamos a fazer. Eu tinha estado a deambular pela vida e não a viver a minha vida. O Universo colocou-me no Dispensário para me dar a oportunidade de aprender que, a nível da consciência somos todos iguais, que precisava de aprender a valorizar o bem-estar e a saúde, a compreender a doença e a perceber hoje, que a medicina e os meios tecnológicos estão sempre a evoluir, que os profissionais da saúde e os recursos que temos à mão de semear, aumentam a nossa esperança de vida mas que somos nós, os únicos responsáveis pela qualidade da nossa vida.

Maria Luísa

Santarém, Setembro de 2011.

PS: Aguardamos que nossa Luísa nos brinde brevemente com fotos suas e outras referentes ao CDP.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Dispensário Anti-tuberculoso–Sesimbra

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(Fotos do autor a XXVIII-VII-MMXI)

De férias nesta linda localidade de gente tão acolhedora, vi o estado deste digno “dispensário”. Pela minha ligação à causa, é-me impossível ficar indiferente!

Onde estão os funcionários? Como estão os utentes? Bem, com certeza!

Porque está o edifício neste estado???

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Volta Landico!!

Uma História apaixonante de uma comunidade e de uma equipe de profissionais de saúde que que não se escusam em envidar todos os esforços e criatividade no sentido de levar a bom porto  o constante  e aturado combate à TP.

Vejam todo a vídeo carregando os 4 excertos.

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

CDP - Santarém

Um pouco de história

O Centro de Diagnóstico Pneumológico de Santarém é uma unidade de saúde com muitos anos de actividade e que teve há cerca de 30 anos a designação de Dispensário Antituberculoso; é ainda muitas vezes  designado pelo nome de Dispensário.
De facto, se nos anos 50 do século XX, no nosso país as carências no campo da saúde eram enormes, na área da luta contra a tuberculose existiam as unidades ambulatórias em quase todos os concelhos; existiam também unidades de internamento, não só os grandes sanatórios, mas também unidades mais pequenas – a Enfermaria-abrigo de Santarém era uma dessas unidades: o seu edifício é onde actualmente funciona o Lar de S.Domingos.
Estas estruturas inicialmente criadas pela Assistência Nacional aos Tuberculosos (ANT), passaram depois para o Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos (IANT). Após o 25 de Abril de 1974, passa a ser Serviço de Luta Antituberculosa (SLAT), designação muitas vezes ainda utilizada, posteriormente Serviço de Tuberculose e Doenças Respiratórias (STDR) e a partir de 1995, com o Plano Nacional de Luta contra a Tuberculose chegamos ao actual nome de Centro de Diagnóstico Pneumológico (CDP).
Muito haverá a contar da evolução destas estruturas; esperamos fazê-lo proximamente e de forma progressiva, não só com as nossas memórias, mas também com os contributos que as pessoas da região possam dar e que desde já solicitamos.


A nossa actividade

O CDP Santarém é uma unidade que tem como prioridade da sua actuação a luta contra a tuberculose, nas vertentes do tratamento, do diagnóstico, da prevenção e rastreio, da formação e da educação para a saúde.
Porém, desde os fins da década de 70 que progressivamente se foi alargando a sua acção a toda a área da Pneumologia, respondendo à procura de cuidados médicos especializados nas doenças respiratórias em geral. Aliás, as designações STDR, e depois CDP, surgem espelhando essa evolução.
Com instalações próprias, facilitando a acessibilidade, e com um quadro de pessoal que foi variando ao longo dos anos, o CDP Santarém tem actualmente 2 médicos pneumologistas, 2 enfermeiras, uma técnica de radiodiagnóstico, 2 administrativos e uma assistente operacional.
A nossa actividade tem sido desenvolvida tendo sempre presente a importância da interligação com os outros sectores da saúde: o da Medicina Geral e Familiar, na sua rede ambulatória e primeiro ponto de contacto da população com os serviços, o da Medicina Hospitalar, Medicina Interna, Pneumologia e todas as outras especialidades médicas e cirúrgicas, o da Saúde Pública, e todos os outros sectores da saúde e assistência social.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

BCG

O BCG (Bacilo de Calmettte e Guérin) é a única vacina que previne as formas graves da tuberculose infantil como a meningite tuberculosa e tuberculose miliar. Apesar dos avanços da medicina e,apresentada em 1921 é a mais antiga das vacinas em utilização.
  • 1921 - descoberta por Calmette e Guérin
  • 1929 - acidente de Lubeck
  • 1935 - 1º estudo que determina 75% do seu efeito protector
  • 1951 - campanhas internacionais de BCG conduzidas pela OMS
  • 1966 - iniciou-se a produção da vacina BCG liofilizada
  • 1974 - o BCG é integrado no PAI (Programa Alargado Imunização)
  • 1992 - 85% de crianças vacinadas no 1º ano de vida.



O Plano Nacional de Vacinação português recomenda a sua administração (Circular Normativa Nº 08/DT de 21/12/2005) ainda na maternidade, a todo o recém-nascido, desde que o seu peso seja igual ou superior a 2000gr. Na impossibilidade de o fazer, deverá ser administrada no centro de saúde ou CDP, no calendário recomendado.
Quando a vacina BCG não é administrada até aos 2 meses de idade deve-se efectuar a prova tuberculinica antes da vacinação.


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Técnica de administração

A vacina é administrada por via intradérmica na face latero-externa do braço esquerdo, na união do 1/3 superior com os 2/3 inferiores, nas doses de 0,05ml (5U) no primeiro ano de vida e posteriormente de 0,1ml (10U).
 
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Usar uma seringa de tuberculina ou de insulina graduada de 1cc e uma agulha intradérmica curta e fina de calibre 25G ou 26Gx10mm. Injectar lentamente no local apropriado.
A inoculação da vacina não dá qualquer reacção local desagradável, nem reacção geral (febre ou fadiga) e a pápula formada (5mm) desaparece ao fim de 30 minutos.

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Ao fim de 3 ou 4 semanas aparece um nódulo vermelho e duro que pode persistir durante 1 ou 2 meses e desaparecer deixando uma zona deprimida (cicatriz vacinal). Frequentemente pode aparecer uma gota de serosidade semelhante à evolução de um frurúnculo.
É uma evolução normal pelo que a criança pode tomar banho normalmente não necessitando de quaisquer cuidados (não colocar gelo, pomadas, talco ou outro produto). O único procedimento permitido é a colocação de uma compressa esterilizada, seca, para evitar o “roçar” na roupa.

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Complicações

A principal complicação da vacinação BCG é a adenite (aparecimento de um gânglio reaccional na axila) que é pouco frequente, evoluindo para cicatrização sem atingimento do estado geral. Normalmente aparece ao fim de 2 a 4 meses após vacinação.
  
A frequência do número de adenites depende:                    
  • Idade (maior frequência nas crianças até 2 anos)
  • Via da administração da vacina
  • Técnica incorrecta
  • Quantidade da vacina administrada
  • Estirpe da vacina BCG. 



Que fazer perante a adenite?

A principal atitude a tomar é esclarecer e acalmar os pais, ensinando-os a detectar a existência de flutuação para possível punção, exclusivamente do foro médico.



Contra indicações

De um modo geral a vacina do BCG não deve ser administrado a indivíduos com:
  • Síndromes de imunodeficiência congénita (hipogamoglobulinémias ou imunodeficiência combinada grave)
  • Estados de imunodepressão devido a doenças malignas (linfomas, leucemias)
  • Estados de imunossupressão associados a certas terapêuticas (nestes casos deve-se respeitar um período mínimo de 3 meses após a suspensão das mesmas)
  • Transplantes de órgãos
  • Casos de HIV positivos sintomáticos (nos casos assintomáticos a vacinação deve ser ponderada em função do risco de contrair tuberculose e administrada mediante prescrição médica)
  • Nos casos de filhos de mães com HIV positivo, a vacina BCG deverá ser adiada até exclusão de infecção pelo HIV e administrada mediante prescrição médica)image
  • Malnutrição grave
  • Recém-nascidos com peso inferior a 2 kg
  • Doenças cutâneas generalizadas
  • Tuberculose activa
  • Prova tuberculínica positiva
 
Registos

É importante fazer sempre o registo da vacina BCG incluindo:
Ø Lote image
Ø Laboratório
Ø Data 
Ø Assinatura

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Rastreio da Tuberculose

O rastreio da Tuberculose pode ser feito junto do seu médico de família ou no CDP da área da sua residência e tem como objectivo identificar pessoas que, tendo tido contacto com o bacilo da tuberculose e apesar de não apresentarem sintomas da doença,  podem estar mais susceptíveis de adoecer. 
No rastreio é-lhe feito um inquérito sobre sintomas,  realizado prova tuberculínica (Mantoux), radiografia de tórax, colheitas de expectoração,  teste IGRA (se necessário) e esclarecimento sobre a doença.
 
As colheitas da expectoração devem ser feitas durante 3 dias seguidos. Colhe-se, em frasco devidamente identificados  a 1ª expectoração da manhã, de preferência ainda em jejum. Guarda-se no frigorífico (na porta ou na gaveta dos legumes) ou simplesmente num local fresco e abrigado da luz solar. Após as 3 colheitas entregar no CDP.

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Sempre que se deslocar para realizar o Rastreio da Tuberculose deverá ser portador do Boletim de Vacinas.

Como prevenir a Tuberculose

 
As principais medidas para prevenir a TB são:
  • diagnosticar precocemente cada novo caso
  • tratar correctamente todo o doente com Tuberculose
  • ter a certeza de que o doente toma a medicação correctamente
  • rastrear todos os seus conviventes
  • BCG no recém-nascido.
Existem no entanto, pessoas que têm mais probabilidade de adoecerem com TB:


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Estima-se que 10% dos infectados desenvolverão posteriormente a doença.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Quais os Sintomas da Tuberculose?

A tuberculose é uma doença de evolução arrastada caracterizando-se geralmente por uma instalação lenta a progressiva dos sintomas.

Os sintomas mais frequentes são; tosse persistente, expectoração espessa com ou sem sangue, cansaço fácil, febre vespertina (à tarde 37,5º), suores nocturnos, perda de apetite e emagrecimento, dor no peito e/ou nas costas.

Como se Transmite a Tuberculose?

O seu contágio é feito por inalação de “partículas” originados na tosse, espirro, fala e risadas de doentes portadores de TB Pulmonar activa, ou seja; quando um doente tosse ou espirra, lança para o ar bacilos provenientes do pulmão doente. Se uma pessoa inalar uma grande quantidade de bacilos, estes ao entrarem no organismo podem-se alojar nos pulmões – há uma infecção.


O termo infecção, no caso da tuberculose, designa apenas o contacto do organismo com os bacilos e não a existência de doença. Quando ocorre a inalação dos bacilos duas situações podem ocorrer:
1.      Se as defesas do organismo estiverem em “alerta”, os bacilos ficam inactivos (adormecidos) e não causam danos, a pessoa não tem sintomas e pode não adoecer

2.      Se as defesas do organismo estiverem diminuídas, os bacilos podem provocar a doença dando início aos sintomas.













segunda-feira, 11 de julho de 2011

Tuberculose – Questões Pertinentes

Tuberculose

Saiba como controlar, curar e prevenir a tuberculose, uma das doenças que mais pessoas mata, por ano, em todo o mundo.

 
 
Emergência mundial
Morrem mais pessoas de tuberculose, em todo o mundo, do que de qualquer outra doença infecciosa durável. A tuberculose mata aproximadamente dois milhões de pessoas por ano, 98 por cento das quais em países em desenvolvimento. Um terço da população mundial encontra-se infectado pelo bacilo da tuberculose (bacilo de Koch).
Apesar das dimensões que atinge, esta pandemia foi durante muito tempo esquecida pelos doadores internacionais. Em 1990, o fluxo total da ajuda externa para esta doença diminuiu para uns escassos 16 milhões de dólares por ano.
Este facto levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar a tuberculose como uma emergência mundial. Feita há dez anos atrás, esta declaração foi a primeira do género na história da OMS, tendo gerado um efeito positivo em várias áreas de actuação e junto de várias instituições e financiadores internacionais.
Cerca de dez milhões de tuberculosos completaram com sucesso o tratamento ao abrigo da estratégia DOTS (Directly Observed Therapy Short-Course), uma das mais bem sucedidas iniciativas de saúde pública com baixos custos alguma vez implementada a nível mundial. Esta estratégia não só salvou muitas vidas como reduziu activamente a propagação da infecção.
O número de países que já adoptaram e implementaram a estratégia DOTS (Portugal é um deles) atinge já mais de uma centena e meia, cobrindo mais de 60 por cento da população mundial.
A Parceria Global para Combater a Tuberculose (Global Partnership to Stop TB), lançada pela OMS em 2000, cresceu rapidamente e inclui já mais de 250 organizações entre os seus membros. Estas organizações coordenaram os seus esforços em grupos de trabalho que se debruçaram sobre a expansão da DOTS, sobre a infecção conjunta de tuberculose e do vírus da imunodeficiência humana (VIH), sobre a tuberculose resistente a medicamentos múltiplos e a pesquisa sobre novos diagnósticos, remédios e vacinas para a tuberculose.
 
Situação em Portugal
Em Portugal, assiste-se a uma redução acentuada do nível endémico da tuberculose, directamente associada à melhoria dos índices de desempenho do Plano Nacional de Luta Contra a Tuberculose (PNT), com uma evidente redução da prevalência da resistência aos antibióticos específicos.
Contudo, a situação é menos favorável nas grandes áreas urbanas de Lisboa, Porto e Setúbal, onde se concentra a maior parte dos casos registados no país e onde o ritmo de declínio é mais lento. Nestas áreas, incidem com particular intensidade os mais determinantes factores de risco, com consequente impacto negativo no sucesso terapêutico e no aumento da resistência aos fármacos.
Em relação à União Europeia, Portugal é um dos países com maior incidência de casos notificados e com maior expressão dos aspectos que lhe conferem o carácter de infecção emergente.
Estando em curso uma profunda reforma do sistema de saúde, importa alertar para a necessidade de salvaguardar a operacionalidade dos serviços dedicados à tuberculose, de forma a enfrentar com eficiência os quatro principais desafios do Plano Nacional de Luta Contra a Tuberculose:
  • Implementação da estratégia global DOTS;
  • Implementação dos tratamentos personalizados (estratégia DOTS-plus);
  • Intervenção activa na comunidade para cura e detecção de novos casos;
  • Plano de intervenção na co-infecção TB/VIH.

Em Portugal, dos serviços dedicados ao tratamento e prevenção da tuberculose, destacam-se os Centros de Diagnóstico Pneumológico.

O que é a tuberculose?
A tuberculose é uma doença infecciosa causada por um micróbio chamado “bacilo de Koch”. É uma doença contagiosa, que se transmite de pessoa para pessoa e que atinge sobretudo os pulmões. Pode também atingir outros órgãos e outras partes do nosso corpo, como os gânglios, os rins, os ossos, os intestinos e as meninges.

Quais são os sintomas mais evidentes?

  • Tosse crónica;
  • Febre;
  • Existência e persistência de suores nocturnos (dos que ensopam o lençol);
  • Dores no tórax;
  • Perda de peso, lenta e progressiva;
  • Falta de apetite, anorexia, apatia completa para com quase tudo o que está à volta.

Como se transmite?
A transmissão do micróbio da tuberculose processa-se pelo ar, através da respiração, que o faz penetrar no nosso organismo. Quando um doente com tuberculose tosse, fala ou espirra, espalha no ar pequenas gotas que contêm o bacilo de Koch. Uma pessoa saudável que respire o ar de determinado ambiente onde permaneceu um tuberculoso pode infectar-se.
Note-se que um espirro de um doente com tuberculose projecta no ar cerca de dois milhões de bacilos. Através da tosse, cerca de 3,5 mil partículas são igualmente projectadas para a atmosfera.

Todas as pessoas que entram em contacto com doentes tuberculosos podem ser contagiadas?
Não. A maior parte das vezes o organismo resiste e a pessoa não adoece. Contudo, por vezes, o organismo resiste no momento, mas continua a albergar o micróbio, motivo pelo qual quando fragilizado por alguma outra doença, como a sida, o cancro, a diabetes ou o alcoolismo, acaba por não resistir. Os idosos têm também mais possibilidades de adoecer logo após estarem em contacto com um tuberculoso, ou seja, com o ar que este respira.
Entre as pessoas que mais probabilidades têm de contrair esta infecção, contam-se os idosos, as crianças e as pessoas muito debilitadas por outras doenças.

Todos os pacientes com tuberculose podem transmitir a doença?
Não, apenas os doentes com o bacilo de Koch no pulmão e que sejam bacilíferos, isto é, que eliminem o bacilo no ar, através da tosse, espirro ou fala.
Quem tem tuberculose noutras partes do corpo não transmite a doença a ninguém porque não elimina o bacilo de Koch através da tosse.
Os doentes com tuberculose que já estão a ser tratados não oferecem perigo de contágio porque a partir do início do tratamento este risco vai diminuindo dia após dia. Quinze dias depois de iniciado o tratamento, é provável que o paciente já não elimine os bacilos de Koch.

Que factores facilitam o contágio?

  • Estar na presença de um doente bacilífero (aquele que elimina muitos bacilos através da tosse, dos espirros, da fala);
  • Respirar em ambientes pouco arejados e nos quais há predominância de pessoas fragilizadas pela doença;
  • Permanecer vários dias em contacto com doentes tuberculosos.

Como se previne?
A prevenção é a arma mais poderosa e genericamente usada em todo o mundo. É feita através da vacina BCG (Bacilo de Calmette e Guérin), que é aplicada nos primeiros 30 dias de vida e capaz de proteger contra as formas mais graves de tuberculose. É, por isso, obrigatória e tomada por milhões de crianças em todo o mundo.
Deve ainda tratar-se, o mais breve possível, os doentes com tuberculose, para que o contágio não prolifere, e procurar não respirar em ambientes saturados, pouco arejados e pouco limpos.

A tuberculose tem cura?
Sim. Se o doente seguir a prescrição do médico e as suas indicações, as oportunidades de cura atingem os 95 por cento. Mas para que assim seja, é fundamental não interromper o tratamento em hipótese alguma, nem mesmo se os sintomas desaparecerem.

Como se trata?
Quando alguém adoece por causa do micróbio da tuberculose e fica tuberculoso, o tratamento consiste na combinação de três medicamentos: rifampicina, isoniazida e pirazinamida. Este tratamento dura cerca de seis meses e deve ser sempre acompanhado pelo médico de família do seu centro de saúde.

Em que situações é preciso internar um doente com tuberculose?
Na maior parte dos casos, o tratamento deve ser ambulatório, ou seja, feito em casa e acompanhado no centro de saúde ou no hospital da área de residência do doente. Porém, se o diagnóstico não for feito no início da doença e os pulmões do doente ficarem gravemente afectados, inclusive originando outras complicações, o médico tem que observar o paciente e decidir se precisa do internamento. Nestas circunstâncias, as pessoas ficam muito fragilizadas e precisam de muito apoio.
No caso de um doente com tuberculose noutras partes do corpo, cabe ao médico tomar a decisão. Quando o doente contrai uma meningite tuberculosa tem forçosamente de ser internado.

A tuberculose mata?
Sim. Se uma pessoa com tuberculose não recorrer aos serviços médicos competentes e se não for tratada atempada e convenientemente, a probabilidade de vir a morrer na sequência da tuberculose é muito elevada.
Quando um doente abandona ou interrompe o tratamento que lhe foi prescrito, aumenta também a probabilidade de vir a morrer da doença, uma vez que possibilita o aparecimento de novos bacilos de Koch, resistentes aos medicamentos actualmente usados pelos médicos para o tratamento e controlo da tuberculose.

Como se diagnostica?
Se tossir consecutivamente durante cerca de três semanas, é recomendável que consulte o médico do centro de saúde da sua área de residência. Este médico pode pedir-lhe para fazer o exame do escarro ou baciloscopia e também uma radiografia ao tórax. Através dos resultados destes dois exames estará, então, em condições de avançar com o diagnóstico e encaminhá-lo para os serviços médicos competentes.

Se for diagnosticada uma tuberculose, é necessário parar de beber e de fumar?
Sim. Não é aconselhável, como se sabe, a associação entre
medicamentos e bebidas alcoólicas. Podem até gerar-se outras complicações, como, por exemplo, o aparecimento de hepatite. É também desejável e necessário que o paciente pare de fumar, até porque isso melhorará a sua saúde como um todo e beneficiará a recuperação dos pulmões.

Caso persistam dúvidas ou alguma impossibilidade por parte do paciente em seguir estas recomendações, aconselha-se conversar com o médico ou com o responsável de saúde do centro de saúde da sua área de residência.

As grávidas podem ser tratadas com os medicamentos habituais para a tuberculose?
Sim, pois os medicamentos costumam ser seguros. Mas também neste caso se aconselha a consulta e uma conversa com o médico assistente para esclarecimento de dúvidas, designadamente as que se relacionem com a saúde da mãe e do bebé.
(...)

Retidado de:

 http://www.min-saude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/doencas/doencas+infecciosas/tuberculose.htm