sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Estórias Pessoais, Maria Luísa Oliveira, 1978-2005 (I)

Luísa Oliveira - AdministrativaOlá!

Convidaram-me para participar neste blog e é com muito prazer que aceito o desafio por diversas razões. À medida que for escrevendo, dar-me-ei e dar-se-ão conta dessas razões.

Fui funcionária administrativa do CDP de Santarém de1978 a 2005, ano em que me reformei. Mantenho-me em contacto com todo o pessoal por grande amizade aos que trabalharam comigo e ainda lá continuam e simpatia pelos que entraram depois da minha saída.

Hoje recordo com alegria e saudade as pessoas com quem passava a maior parte do meu tempo, o feitio de cada uma, o nosso poder de adaptabilidade, o que aprendi com quem trabalhei e com os utentes.

Claro que não foi sempre um mar de rosas…

Nasci em Lourenço Marques em 1948 e aos 19 anos comecei a trabalhar na Divisão de Finanças da Junta Autónoma de Estradas de Moçambique que contava com 40 funcionários só nesse departamento. Depois trabalhei numa instituição bancária no serviço de contabilidade juntamente com cerca de 30 colegas. Estava habituada a trabalhar especificamente numa determinada função, embora tivesse tido formação profissional suficiente para saber o circuito dos documentos desde a entrada nos serviços centrais até passarem por mim e depois o seu percurso até o processo de contas e arquivo morto. Considerava-me uma boa profissional na área da contabilidade.

Portugal – Santarém 1978.

Tinha acabado de fazer 30 anos, os últimos dois anos em Lisboa, sem trabalhar, a viver numa pensão paga pelo IARN (Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais), quando recebi o ofício do Quadro Geral de Adidos para me apresentar no SLAT (Serviço de Luta Antituberculosa de Santarém, para iniciar funções como administrativa. Informei-me da localização dos serviços e fui até lá. Não foi fácil dar com a casa. Passei várias vezes por ela sem a identificar. Não me passava pela cabeça que um serviço destinado a curar doentes tuberculosos pudesse funcionar numa … “vivenda velha”. Secretárias, mesas e armários de metal creme com tampos de mármore, como eu já não via desde os meados dos anos 50, quando fui vacinada contra a varíola em Lourenço Marques. Eu sempre gostei de casas e ambientes bem modernos e por isso, detestei tudo menos as pessoas porque essas, todas elas, me acolheram muitíssimo bem. É certo que éramos muito poucos e também muito distintos: 1 médico, 2 enfermeiros, 1 técnico de RX, 3 administrativas e 2 auxiliares. Estava habituada a trabalhar entre iguais com um chefe a uma certa distância e outros superiores mais distantes ainda. E a princípio fez-me confusão estar tão próxima de tantas hierarquias profissionais e sociais. No fundo, estava com medo de trabalhar ali. Medo de tudo. Nunca me senti bem em hospitais e serviços de saúde. O cheiro a éter agoniava-me. Ainda por cima um serviço que cura tuberculosos…” “E enquanto não se curavam? Então isso não é altamente contagioso? E eu? Qual a minha imunidade? Que garantias me dão em como não apanho a doença?!” Estes pensamentos assaltavam-me constantemente nos primeiros dias mas não me atrevia a expô-los para não ferir susceptibilidades. O medo de continuar sem trabalhar foi muito maior. O que eu queria mesmo era trabalhar, ser e sentir-me útil, ganhar a minha vida para ser independente e pensei que aceitando o cargo ali, logo pediria a transferência para um serviço grande de … contabilidade – Serviço de Finanças, talvez.

Hoje (2011), olhando para trás, entendo que há sempre uma boa razão para estarmos onde estamos e a fazer o que estamos a fazer. Eu tinha estado a deambular pela vida e não a viver a minha vida. O Universo colocou-me no Dispensário para me dar a oportunidade de aprender que, a nível da consciência somos todos iguais, que precisava de aprender a valorizar o bem-estar e a saúde, a compreender a doença e a perceber hoje, que a medicina e os meios tecnológicos estão sempre a evoluir, que os profissionais da saúde e os recursos que temos à mão de semear, aumentam a nossa esperança de vida mas que somos nós, os únicos responsáveis pela qualidade da nossa vida.

Maria Luísa

Santarém, Setembro de 2011.

PS: Aguardamos que nossa Luísa nos brinde brevemente com fotos suas e outras referentes ao CDP.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Dispensário Anti-tuberculoso–Sesimbra

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(Fotos do autor a XXVIII-VII-MMXI)

De férias nesta linda localidade de gente tão acolhedora, vi o estado deste digno “dispensário”. Pela minha ligação à causa, é-me impossível ficar indiferente!

Onde estão os funcionários? Como estão os utentes? Bem, com certeza!

Porque está o edifício neste estado???