quinta-feira, 24 de novembro de 2011

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

16 de Novembro - DIA MUNDIAL DA DPOC

DPOC

16 de Novembro - DIA MUNDIAL DA DPOC

A 16 de Novembro é assinalado o Dia Mundial da DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica) e, em simultâneo, o Dia Mundial do Não Fumador.
Uma data que procura sensibilizar todos os cidadãos para a importância da saúde respiratória, essencial à vida.

 

DPOC - O QUE É?

A DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica) é uma doença crónica, progressiva e irreversível que ataca os pulmões e tem como principais características a destruição de muitos alvéolos e o comprometimento dos restantes. A sua origem está normalmente associada a uma resposta inflamatória anómala dos pulmões à inalação de partículas ou gases nocivos.
As alterações patológicas pulmonares conduzem a alterações fisiológicas características, como a hipersecreção de muco, disfunção ciliar, limitação do débito aéreo, hiper insuflação pulmonar, anomalias das trocas gasosas, hipertensão pulmonar e cor pulmonar. Estas alterações desenvolvem-se em função do processo de evolução da doença.
À medida que os sintomas são sentidos, as limitações no dia-a-dia dos doentes vão-se manifestando, levando a uma gradual incapacidade e morte prematura.
Para um doente com DPOC, movimentos simples, como escovar o cabelo ou subir escadas, podem tornar-se em desafios fisicamente exigentes.
A DPOC está normalmente associada aos hábitos tabágicos, com índices de 20% de probabilidade dos fumadores contraírem esta doença. A DPOC progride com a idade e afecta frequentemente homens com idade mais avançada.

 

AS CAUSAS DA DPOC

O tabagismo é o factor de risco predominante da DPOC, representando 80%-90% do risco de se desenvolver a doença, mas apenas 15% de todos os fumadores desenvolvem DPOC suficientemente grave a ponto de causar sintomas.
Em termos populacionais, a subida das taxas de tabagismo aumentou drasticamente os níveis de doença e de mortalidade associados à DPOC.
Contudo, o tabagismo não é o único factor de risco. As populações expostas a poluição em recintos fechados, resultante do uso de fornos e de fogões a lenha e a carvão, correm um risco muito superior. A exposição profissional a uma variedade de poeiras atmosféricas também aumenta o risco de DPOC, o mesmo acontecendo com a poluição atmosférica.
A hereditariedade constitui, igualmente, um factor de risco de DPOC. Actualmente, a única doença genética claramente identificada que pode causar DPOC é a deficiência em alfa1-antitripsina (AAT). A AAT é uma enzima que, normalmente, impede a perda das fibras elásticas dos pulmões. As pessoas que sofrem de deficiência de AAT desenvolvem, geralmente, obstrução do fluxo de ar por volta dos 40 anos de idade.

 

FACTORES DE RISCO

São grupos de risco as pessoas com:
  • Mais de 40 anos de idade, com história de tabagismo superior a dez anos;
  • Actividade profissional de risco respiratório comprovado, com exposição a poeiras e a produtos químicos;
  • Tosse ou expectoração crónica ou dispneia (dificuldade em respirar) de esforço;
  • Deficiência de alfa1-antitripsnina.

 

OS SINTOMAS DA DPOC

O principal sintoma do doente com DPOC é a dispneia (falta de ar) que resulta da limitação do fluxo aéreo (entrada e saída do ar) principalmente na fase expiratória, da hiperinsulflação dinâmica que leva ao encurtamento das fibras musculares do diafragma, fadiga muscular, insuficiência respiratória, entre outros.
Inicialmente o doente apenas tem uma tosse acompanhada por expectoração, seguindo-se infecções respiratórias e bronquite aguda que se tornam mais frequentes. Posteriormente, surge o cansaço fácil que se vai acentuando ao longo do tempo até surgir mesmo em pequenas tarefas, como a higiene diária e a fala.
Durante algum tempo, apesar dos sintomas, o pulmão consegue levar a efeito a sua função principal: receber o oxigénio do ar e transportá-lo até ao sangue, e receber deste o anidrido carbónico que elimina para o ar.
À medida que a doença evolui a função do pulmão vai reduzindo, o oxigénio que chega ao sangue vai sendo menor e o anidrido carbónico vai-se acumulando, gerando insuficiência respiratória.

 

DIAGNOSTICAR A DPOC

O diagnóstico da DPOC faz-se através da realização do exame designado espirometria. Trata-se do meio mais objectivo, padronizado e facilmente reprodutível de medir o grau de obstrução das vias aéreas. A espirometria permite também avaliar a gravidade da doença e orientar a adequada prescrição médica. Cria, ainda, a oportunidade de adopção de medidas para o controlo de sintomas e prevenção de exacerbações, reduzindo consultas, internamentos hospitalares e absentismo laboral, bem como para a preservação da qualidade de vida do doente.
A doença ocorre frequentemente após os 40 anos e não afecta crianças. Os sintomas de DPOC não devem ser ignorados pelo fumador ou ex-fumador, pois quanto mais cedo se iniciar o tratamento, melhor serão os resultados. Apesar de ser uma doença subdiagnosticada, os sintomas são relativamente fáceis de reconhecer.

 

TRATAR A DPOC

Existem disponíveis em muitos países normas de tratamento clínico da DPOC. Foi desenvolvida uma nova norma de consenso internacional pela Iniciativa Global para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease - GOLD). Esta declara que os objectivos do tratamento da DPOC são:
  • Prevenir a progressão da doença;
  • Aliviar os sintomas;
  • Melhorar a tolerância ao exercício e o estado de saúde;
  • Prevenir e tratar as complicações;
  • Prevenir e tratar as exacerbações;
  • Reduzir a mortalidade.
Um passo fundamental no tratamento da DPOC é eliminar ou reduzir ainda mais a irritação pulmonar. Os dois agentes irritantes mais comuns que contribuem para a progressão da DPOC são o tabagismo e os poluentes ambientais. A exposição a estes factores de risco deve ser reduzida ou eliminada.
Demonstrou-se que a simples abstenção tabágica (e, em alguns casos avançados de DPOC, a terapia com oxigénio) reduz a mortalidade. As pessoas que deixam de fumar conseguem abrandar a taxa de declínio da função pulmonar, mas nunca conseguem readquirir a já perdida.
Além de se evitarem os factores de risco conhecidos, existem disponíveis tratamentos farmacológicos para a DPOC e seus sintomas mais vulgares. Os tratamentos mais comuns incluem:

Broncodilatadores - Os broncodilatadores são considerados a pedra angular do tratamento sintomático da DPOC. Os grupos principais de broncodilatadores utilizados no tratamento da DPOC incluem:

  • Anticolinérgicos: actuam contrariando a acção broncoconstrictora do sistema nervoso parassimpático, através do bloqueio dos receptores colinérgicos, o que leva à broncodilatação;
  • Agonistas beta (acção curta ou prolongada): actuam estimulando directamente os receptores beta2 no músculo liso das vias aéreas, o que leva à broncodilatação. Os agonistas beta2 (AB) estão subdivididos em duas subcategorias baseadas na sua duração de acção (acção curta - SABA - e acção prolongada - LABA);
  • Metilxantinas: a teofilina, um dos mais antigos broncodilatadores, é o membro mais conhecido desta classe. É mais frequentemente prescrito como parte de uma terapêutica de combinação.

Corticosteróides - Estes fármacos anti-inflamatórios são utilizados como terapêutica de manutenção no estádio inicial da asma. Contudo, o seu uso habitual na DPOC não é, geralmente, recomendado nas normas de tratamento em estadios de menor gravidade da doença. Os CSI (corticosteróides inalados) podem ajudar os doentes com DPOC grave e muito grave, que sofram de exacerbações frequentes.

 

DPOC EM PORTUGAL

Em Portugal, até há pouco tempo estimava-se que a DPOC atingiria 5,3% da população (Cardoso et al. Rev Port Pneumol 2002, VIII (5): 504). Porém, um estudo recentemente efectuado na população da grande Lisboa mostrou uma prevalência de 14,2% (COPD Prevalence in Portugal. The Burden of Obstructive Lung Disease Study /BOLD). Mesmo tendo em conta a heterogeneidade populacional nas diferentes regiões do país, esta prevalência quase três vezes superior à até agora conhecida, vem confirmar a ideia generalizada de que a doença se encontra em crescimento e subdiagnosticada.
Actualmente, apenas uma pequena parcela da população procura tratamento, já que muitos doentes encaram alguns dos sintomas (tosse, dificuldade em respirar, etc.) como normais. Quando não tratada, a DPOC pode levar a quadros irreversíveis que acabam por afectar seriamente a qualidade de vida do doente.
A doença atinge mais os homens do que as mulheres devido ao maior número de homens que fumam. Com o aumento do número de fumadoras, espera-se no futuro que esta diferença se reduza.

 

DPOC NO MUNDO

No mundo estima-se que existam cerca de 600 milhões de pessoas afectadas por esta doença. A DPOC constitui uma importante causa de morte e de incapacidade em todo o mundo. É a 5ª causa de morte a nível mundial, a 5ª na Europa e noutros países desenvolvidos e a 4ª nos Estados Unidos da América.
Todos os anos, aproximadamente 2.75 milhões de mortes em todo o mundo são atribuídas à DPOC. A DPOC é a causa de morte com mais rápido crescimento nas economias avançadas mundiais, prevendo-se que rapidamente venha a alcançar a 4ª posição como causa de morte nas regiões desenvolvidas.
O crescimento da DPOC é incrível. Calcula-se que em 2020 a DPOC seja a 3ª causa de morte a nível mundial - logo após as doenças de coração e os acidentes vasculares cerebrais.

 

 

A DPOC constitui uma enorme sobrecarga a nível socioeconómico e de saúde, sendo uma das principais causas de incapacidade e morte nas sociedades industriais. Os custos directos e indirectos associados à DPOC são comparados aos associados ao cancro da mama, enfarte do miocárdio e úlcera péptica. Os custos em hospitalizações são comparáveis ou mesmo superiores aos de outras doenças graves, incluindo ataques cardíacos. A maior parcela dos custos médicos da DPOC na maioria dos países está associada à necessidade de hospitalização dos doentes. A DPOC também acarreta um fardo significativo em termos de quebras de produtividade relacionadas com a incapacidade.
Para além do peso económico da doença, a DPOC constitui um pesado problema para aqueles que sofrem daquela patologia, já que tem um impacto considerável na sua qualidade de vida. O cansaço e a dispneia podem limitar seriamente a actividade física interferindo no seu papel económico e social. Depressão, ansiedade e desespero também são frequentemente observadas nos doentes com DPOC.
A DPOC também constitui um pesado fardo sobre todos os que têm de cuidar de amigos e parentes com esta doença. Em virtude da sua natureza crónica e dos seus sintomas incapacitantes, os cuidados de saúde em casa constituem uma parte importante das responsabilidades físicas, sociais e emocionais.

 

SOFRE DE DPOC? FAÇA O PRÉ-DIAGNÓSTICO.

Para saber se tem DPOC, comece por responder a estas questões:
1.Tem tosse a maior parte dos dias? 2.Tem expectoração ou “catarro” a maior parte dos dias? 3.Tem dificuldades de respiração e cansa-se mais rapidamente do que as pessoas da sua idade? 4.É fumador(a) ou ex-fumador(a)? 5.Tem mais de 40 anos?
Se respondeu afirmativamente a todas as questões, pode sofrer ou vir a sofrer de DPOC. Consulte o seu médico(…)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Estórias Pessoais, Maria Luísa Oliveira, 1978-2005(II)

1978

Luísa Oliveira - AdministrativaUma das tarefas como administrativa no ex-SLAT (Serviço de Luta Antituberculosa) de Santarém, obviamente, era o atendimento ao público. Lembro de como me assustei quando, logo no 1º dia de trabalho, me puseram à frente do guichet com uma fila de pessoas do outro lado para serem atendidas. Gaguejando, ainda disse à minha jovem colega que não me parecia boa a ideia de eu ir para lá, pois não saberia o que dizer nem fazer e os utentes certamente não iriam tolerar essa ignorância. O que mais eu iria apreciar na minha colega Maria do Céu era a sua descontracção em relação a tudo aquilo que me constrangia e limitava. Completamente tranquila, ela disse-me: “Ora essa! É tudo muito simples! Veja como eu faço e vai ver que consegue!” A verdade é que a paciência e o método demonstrativo dela resultaram e foi muito fácil mesmo.

(Naquele tempo não se ouvia falar em cursos de formação, pelo menos para funcionários administrativos do SLAT).

Havia impressos que preenchíamos (à mão, claro!) enquanto atendíamos os utentes. Em 1978 os caracteres e os quadradinhos dos impressos eram estampados com tinta vermelha e nós escrevíamos com esferográfica a azul ou preto. No topo do impresso, no canto esquerdo, uma singela mas peculiar cruz, de dois braços, identificava os nossos serviços. Numa altura em que eu já tinha abolido completamente as cruzes nos meus adornos pessoais, tendo-as substituído por outros símbolos igualmente pacíficos: a pata de pombo, yin e yang e Om (Aum), achei a cruz especialmente bonita e a minha curiosidade sobre ela recebeu do Dr. Júlio Cardoso, Director e médico dos nossos serviços, esta explicação: “Chama-se Cruz de Lorena e os Cruzados usavam-na nas suas lutas. Por proposta de um médico francês bem inspirado, passou a ser o símbolo internacional da cruzada sobre a tuberculose. Diz-se que a Cruz de Lorena tem poderes sobrenaturais.”

Lembrei-me então de já a ter visto em Moçambique, no Dispensário Antituberculoso de Lourenço Marques, quando levei a minha filha, para fazer o BCG quando nasceu. Muito mais tarde, empolguei-me verdadeiramente quando a vi a identificar serviços de saúde pulmonar em cidades como Goa, Deli, Hong Kong, Macau e Bangkok…. (continua…)

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Símbolo da Paz

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Yin e Yang

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Om ou Aum

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Cruz de Lorena